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sábado, 2 de novembro de 2013

DEUS deu ao ser humano a capacidade de fazer cultura


DEUS deu ao ser humano a capacidade de fazer cultura
por Marcelo Gesta

DEFININDO OS TERMOS

a)      Cultura: É a ação de cultivar, é um desenvolvimento intelectual ou religioso, é um saber, um estudo, uma forma de comportamento, é um conjunto de costumes específicos de uma determinada sociedade. Cultivar, por sua vez, é fazer os trabalhos próprios para tornar a terra fértil, é dedicar-se a; formar; procurar manter. Logo, quando cultivamos algo em nós ou em alguém, ou mesmo quando somos cultivados por outros (no sentido de sermos discipulados ou ensinados), aí está sendo formada uma cultura em nós ou em alguém. Portanto, quando assimilamos certa forma de pensar, de agir, de expressar-se, enfim, certa forma de ser e nos comportarmos, e a defendemos ou a perpetuamos através de outros, é porque temos já aí uma cultura em nós.
b)      Identidade: Todo este conjunto de aprendizagens, vivências e interatividades somados também á genética contribuirão para gerar em nós uma identidade. A identidade é algo singular, é a qualidade do que é idêntico, análogo, ou semelhante. A identidade é o que faz com que uma coisa ou alguém seja única ou a semelhante a outra. Quando há o reconhecimento e a aproximação de algo ou alguém como igual e/ou semelhante estabelece-se uma identidade[1]. A identidade é o que me identifica, e quando nós ou alguem estabelece ou se estabelece uma identificação conosco vemos aí algo “idêntico”, similar.

Somos acostumados – mesmo que subjetivamente ou incoscientemente – através da educação, do convívio e da mídia, a ver na cultura que herdamos de nossos antepassados, contemporâneos e pessoas de nosso convívio, uma identidade e uma “entidade” intocável e definitiva.
Carlos A. Messeder Pereira nos diz que “cultura é um produto histórico, ou seja, contingente, mais acidental do que necessário, uma criação arbitrária da liberdade”[2]. Antropologicamente há amplos significados em relação a cultura, que passam pela aprendizagem, assimilação e transmissão de idéias e comportamentos por parte de indivíduos ou comunidades.
Para Edward B. Tylor (1871), “cultura é aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”[3].
Para Ralph Linton (1936), a cultura de qualquer sociedade “consiste na soma total de idéias e reações emocionais condicionadas a padrões de comportamento habitual que seus membros adquiriram por meio da instrução ou imitação e de que todos, em maior ou menor grau, participam”[4].
Para Franz Boas (1938), a cultura é como “a totalidade das reações mentais e físicas que carcterizam o comportamento dos indivíduos que compõem um grupo social”[5].
Para Felix M. Keesing (1958), a cultura é “comportamento cultivado, ou seja, a totalidade da experiência adquirida e acumulada pelo homem e transmitida socialmente, ou, ainda, o comportamento adquirido por aprendizado social”[6].

INTRODUÇÃO

DEUS, do nada, criou todas as coisas. A Bíblia diz:

No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas. Gênesis 1:1,2 – ARA.
No começo Deus criou os céus e a terra. A terra era um vazio, sem nenhum ser vivente, e estava coberta por um mar profundo. A escuridão cobria o mar, e o Espírito de Deus se movia por cima da água. Gênesis 1:1,2 – NTLH.

Um mundo sem seres vivos ou habitantes não possui comunidade, e sem comunidade jamais haveria ou haverá cultura, e sem cultura não há identidade. Então, dentre tantos seres criados por DEUS, O Senhor cria o ser humano, e dá ao mesmo a capacidade de assimilar ou de fazer cultura. A Bíblia diz:

Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. Gênesis 2:7 – ARA.
Então, do pó da terra, o Senhor formou o ser humano. O Senhor soprou no nariz dele uma respiração de vida, e assim ele se tornou um ser vivo. Gênesis 2:7 – NTLH.

DEUS foi o primeiro cultivador, e desenvolveu a primeira cultura. A Bíblia diz:

E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado. Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Gênesis 2:8,9 – ARA.
Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. Gênesis 2: 15 – ARA.


DEUS deu ao ser humano a capacidade de gerar, desenvolver e ensinar cultura

Quando DEUS gera, desenvolve e ensina a primeira cultura ao homem, igualmente, dá ao ser humano a capacidade de fazer, desenvolver e ensinar cultura, assim desenvolvendo sua própria identidade. Não sou “claude-levi-straussiano”, porém, em uma coisa pelo menos concordo com ele: Claude Lévi-Strauss diz que, de alguma forma, a origem da cultura se dá com o primeiro regulamento desenvolvido. A Bíblia diz:

E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2: 16 e 17 – ARA.

Por isso penso que, dessa forma, a própria cultura não seria um fim em si mesmo, porém, um meio para se apreender, entender e atingir um fim: a cultura seria uma forma de regular as relações saudáveis dentro de um meio ambiente repleto de personalidades diferentes, e através destas relações saudáveis é que viria e/ou vem o equilíbrio, a satisfação, o desenvolvimento, a paz e a felicidade. Para isso desde o início foi definido o que se precisava ser feito e o que não deveria ser feito, logo aqui, desde o início tem-se a religião, a ética, a moral, a norma, enfim, a cultura e com ela a identidade.
Também não sou “leslie-whiteano”, todavia – seguindo uma das regras do bom aprender do próprio apostolo Paulo que diz: ‘examina tudo e retende o que é bom’ – outra coisa, ao menos,  tenho que concordar com mais um antropólogo, o conhecido Leslie White, o qual afirma que a procedência da cultura se deu quando o homem foi capaz de suscitar e entender símbolos. A Bíblia diz:

Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles. Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. Gênesis 2:19, 20 – ARA

Nomes são símbolos, pois identificam subjetivamente através de uma expressão exclusiva, um objeto ou alguém específico, entre vários outros. O nome não é a coisa simbolizada, mas o que a diferenciará entre uma e outra coisa numa comunicação, apontando para uma identidade. Este símbolo desenvolvido pode ser exprimido através de sons, gestos, palavras, ou mesmo cores e formas.  Possivelmente tenha surgido daí a linguagem e o primeiro dialeto.
A Bíblia diz em Gênesis 2:21 á 25, na versão NTLH:

Então o Senhor Deus fez com que o homem caísse num sono profundo. Enquanto ele dormia, Deus tirou uma das suas costelas e fechou a carne naquele lugar. Dessa costela o Senhor formou uma mulher e a levou ao homem. Então o homem disse: “Agora sim! Esta é carne da minha carne e osso dos meus ossos. Ela será chamada de ‘mulher’ porque Deus a tirou do homem.”
É por isso que o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa.
Tanto o homem como a sua mulher estavam nus, mas não sentiam vergonha.

A partir daí, os indivíduos, percebendo a personalidade de outros vão desenvolvendo a sua própria identidade e arbitrariedade, desta forma as relações entre as individualidades que possuem os mesmos propósitos gerarão a família – a sua célula maternal de todas as sociedades. A família crescendo gerará outras e, assim, essas famílias cultivarão os traços típicos do seu grupo social, o qual terá uma cultura. A cultura, por sua vez, será a matriz que unirá os semelhantes, tendo-se assim – de forma muito resumida – a formação das primeiras sociedades.
Crescendo estas sociedades, as mesmas gerarão uma pluralidade de indivíduos com variadas necessidades e dessemelhanças, e assim, os dessemelhantes da sociedade matriz se unirão a outros dessemelhantes da mesma sociedade, e juntos formarão outras famílias e outros grupos sociais e assim sucessivamente, vão crescendo, dividindo-se e dando origem a outros grupos sociais, a partir das dessemelhanças surgidas. A Bíblia diz:

Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do Senhor. Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador. Gênesis 4: 1,2 – ARA
Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou. Gênesis 4: 8 – ARA
Retirou-se Caim da presença do Senhor e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.
A Enoque nasceu-lhe Irade; Irade gerou a Meujael, Meujael, a Metusael, e Metusael, a Lameque. Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá. Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá. E disse Lameque às suas esposas:
Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos:
Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete. Gênesis 4: 16 á 24 – ARA

DEUS deu ao ser humano não somente a capacidade de fazer cultura, mas também a de arbitrar, e a medida que um indivíduo ou grupo arbitrando se afasta de sua cultura matriz, tende a gerar outra cultura, cada vez mais distante da original, a ponto de desenvolver toda uma cultura antagônica a matriz geradora de todas as outras. Assim, também, se deu com os primeiros seres humanos, que no Início, tiveram uma forma de relacionamento original e ideal com DEUS. Este relacionamento foi sendo adulterado a medida que os seres humanos se afastavam de DEUS, e desta forma “fabricaram” novas formas de relação entre si e com o sagrado, totalmente antagônicas ao relacionamento original e ideal com DEUS, como é o caso da magia e de muitas outras formas de sociedades e religiões que não reconhecem a DEUS como seu único Senhor e Salvador, e assim o ser humano afastou-se de DEUS da mesma forma que produziu e produz variedades totalmente antagônicas de se relacionar ou não com DEUS, como foi a original ocorrida no Éden.
Mas há sempre uma ou mais esperanças, e as mesmas são sempre surpreendentes. A Bíblia diz:

Adão e a sua mulher tiveram outro filho. Ela disse:
– Deus me deu outro filho para ficar em lugar de Abel, que foi morto por Caim.
E pôs nele o nome de Sete. Sete foi pai de um filho e o chamou de Enos. Foi nesse tempo que o nome Senhor começou a ser usado no culto de adoração a Deus. Gênesis 4: 25, 26 – NTLH

CONCLUSÃO

DEUS deu ao ser humano a capacidade de fazer cultura e sua própria identidade, e desde seu primeiro convívio com Seu Criador, o homem teve a oportunidade de ampliar positivamente o relacionamento e a cultura daí desenvolvida entre ambos. Enquanto este relacionamento e cultural original e ideal havia entre ambos, o nome do ambiente onde se aperfeiçoava tal cultura era Jardim do Éden. Quando os princípios culturais ali expostos são alterados, o homem é expulso dali, e, a partir daí, surge então uma trajetória de desenvolvimentos culturais geradores de conflitos, divisões e guerras, dentre outras reações tão terríveis à humanidade.
Estas culturas produzidas arbitrariamente pelos seres humanos não têm a mesma relevância e utilidade para todos os povos. Cada pessoa tem a sua personalidade e necessidades próprias, assim como cada povo tem sua cultura, e o mesmo povo em cada época, também, possui e desenvolve culturas diferentes, e com pluralidade daí surgida, dar-se-ão ainda outros princípios éticos e morais dessemelhantes. Portanto, nenhuma cultura, ou ética, ou moral é apropriada para todos os seres humanos, de qualquer lugar, raça ou momento histórico, a não ser, todavia, a cultura, a ética, a moral, que se originou no Éden em DEUS. Esta, sim, foi feita para todos os homens, de todos os lugares, de todos os povos e de todas as épocas – esta cultura que deveria ser universal e única é a cultura encontrada no relacionamento positivo original e ideal com DEUS, em Suas revelações, e na Sua Palavra. Há uma esperança, e a mesma é surpreendente, A Bíblia diz:

Mas para a terra que estava aflita não continuará a obscuridade. [...]. O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. Tens multiplicado este povo, a alegria lhe aumentaste; alegram-se eles diante de ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando repartem os despojos. Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas; porque toda bota com que anda o guerreiro no tumulto da batalha e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, servirão de pasto ao fogo. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto. Isaías 9: 1 á 7 – ARA

Que DEUS nos traga de volta ao relacionamento original e ideal, que no Início tiveram com Ele os primeiros seres humanos, e que daí surja um ambiente de equilíbrio, de satisfação, de desenvolvimento, de paz e de felicidade. Que DEUS tenha misericórdia de nós e nos abençoe.





[1] TORRINHA, Francisco; Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Pôrto: Editor Pôrto, 1942, p. 663.
[2] PEREIRA, Carlos Alberto Messeder, O que è contracultura, [Coleção primeiros passos: 69] São Paulo: Editora Nova Cultural: Brasiliense, 1986, p. 14.
[3] LAKATOS, Eva Maria, Sociologia Geral, 5ª ed. São Paulo: Editora Atlas, 1985, pág.135.
[4] LINTON, Ralph, O homem; uma introdução á antropologia, 3ª ed. São Paulo: Martins, 1959. Ideia semelhante se vê em: Lakatos, Eva Maria, Sociologia Geral, 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1985, pág.135,136.
[5] BOAS, Franz, Cuestiones Fundamentales de antropologia cultural, Buenos Aires: Solar/Hachete,1984. Ideia semelhante se vê em: Lakatos, Eva Maria, Sociologia Geral, 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1985, pág.136.
[6] KEESING, Félix M., Antropologia Cultural, Rio de Janeiro: Fundo de cultura, 1961,pág.49. Ver também Lakatos, Eva Maria, Sociologia Geral, 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1985, pág.136.