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sábado, 30 de novembro de 2013

ZWÍNGLIO 1 - o reformador radical


Huldreich Zwínglio ou Ulrich Zuínglio

(1484 – 1531)
     Huldreich Zwínglio ou Ulrich Zuínglio (1484 – 1531). Nasceu em 1. ° de janeiro na vila de Toggenburg, em Wildhaus, São Gal, no alto dos Alpes Suíço. Educou-se em Viena e Basiléia. Aos 22 anos foi ordenado padre pela Igreja Católica Romana (1506). Zuínglio foi o terceiro de oito irmãos, filhos de pai rico. Inicialmente, seus objetivos acadêmicos era obter o grau de mestre em Artes, um feito erudito muito desejado na sua época. Incansavelmente Zuínglio estudou as Escrituras, sem deixar de lado sua educação humanista. Manteve contato constante com Erasmo, famoso humanista do seu tempo. Também aprendeu música e a tocar vários instrumentos musicais.
Em 1506, como já citado, começou a ministrar como padre, porém sob perspectiva humanista. Estudou o Novo Testamento a fundo na língua original. Este conhecimento lingüístico adquirido despertou a necessidade de uma reforma da igreja, percebeu que a igreja da sua época estava muito desviada do modelo original. Era preciso restaurar e tentar trazê-la aos primórdios em termos de simplicidade e doutrina.
Aos poucos Zuínglio foi desenvolvendo sua compreensão de que a Escritura era suficiente em autoridade. Este discernimento que parece tão simples ocasionou seu rompimento profundo com o pensamento católico romano. A partir daí percebeu mais claramente todos os abusos doutrinários e erros da tradição da igreja romana e seu clero. Foram muitos os combates travados no campo apologético contra os papistas.
Aos 39 anos organizou uma de suas primeiras formulações doutrinárias, chamada de 67 Conclusões, publicadas em 1523, – um tipo de 95 teses -. Já neste documento apresentava a gênese da Suficiência das Escrituras, ou seja, o Evangelho acima da igreja, e não sujeito a ela. Zuínglio enfatizou que a Palavra é independente das autoridades eclesiásticas. Posteriormente, em sua obra “Sobre a Clareza e a Certeza da Palavra de Deus”, ele elaborou uma eficiente defesa da doutrina da Autoridade das Escrituras.
Zuínglio se desentendeu severamente com o inflexível Lutero por causa da Ceia do Senhor, afirmando que ela é apenas um memorial do sacrifício de Cristo, e não um sacrifício contínuo com a presença real do corpo e do sangue de Cristo. – O reformador suíço influenciado pelo humanista holandês Cornélio Hoen afirmava que o termo “este pão é o meu corpo” deveria ser entendido como “significa o corpo” -. Neste ponto Zuínglio despertou a ira dos católicos romanos, dos luteranos e dos anabatistas. E hoje, passada tanta controvérsia, é quase unânime a compreensão de que a Ceia do Senhor é um memorial.
Também ensinou a validade do batismo infantil seguindo a linha doutrinária conceitual dos judeus, no caso, tendo a circuncisão como referência. Sintetizou doutrinariamente o Evangelho como sendo a reconciliação e a redenção realizadas por Jesus Cristo como pontos chaves. Enfatizou Cristo como O Cabeça dos cristãos. Ensinou a comunhão dos santos e o sacerdócio de todos os crentes. “Todos os crentes são iguais entre si, e nenhum deles merece o título de ‘pai’ (padre), como se fosse superior aos irmãos.” Em seu livro “Comentário Sobre a Verdadeira e a Falsa Religião”, Zuínglio estabeleceu a diferença entre a Igreja Visível e a Igreja Universal mística e verdadeira, composta por todos os eleitos regenerados.
Administrativamente, apesar de crer no governo democrático, Zuínglio não ensinava a separação entre a Igreja e o Estado. Consequentemente não tinha apenas problemas religiosos, mas também políticos. Os distritos urbanos suíços (cantões) deram apoio a reforma de Zuínglio, porém cinco localizações da federação helvética não aderiram. E a partir desses cinco cantões surgiu uma espécie de guerra civil. Zurique, foco da reforma zuingliana impôs sanções políticas e econômicas sobre os distritos que não aceitaram tal reforma. Em retaliação, atacaram Zurique. Zuínglio foi à batalha pela última vez, como capelão, juntamente com as tropas de Zurique. Foi morto durante a luta armada, em Kappel, 1531.
A Suíça deve sua reforma aos ensinos de Zuínglio. Não por acaso ele tem sido chamado de “terceiro homem” da Reforma Protestante – depois de Lutero e Calvino.
Sua causa foi tocada adiante por seu primeiro sucessor, Bullinger. Logo depois surgiu a Confissão de Fé Helvética, uma das declarações clássicas da fé reformada.
* Este artigo foi elaborado por Raniere Menezes a partir dos dados da Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, de R. N. Champlin, Vol. 06, 6ª Edição, Editora Hagnos, 2002.