Siga-me

domingo, 16 de fevereiro de 2014

2 maneiras erradas de fazer um apelo evangelístico - Autores: Mark Dever e Paul Alexander Tradução: Francisco Wellington Ferreira

Apelo

Tome cuidado para que seu apelo não iluda as pessoas
Sempre que apresentamos o evangelho, quer num culto público aos domingos, quer numa conversa pessoal durante a semana, precisamos convidar as pessoas a que se arrependam e creiam no evangelho, para que a nossa apresentação das boas-novas seja completa. Quão boas são as boas-novas, se nunca digo às pessoas como elas podem responder ao evangelho e o que precisam fazer em relação a ele? Precisamos convidar as pessoas a se arrependerem e crerem.
Mas, quando as convidamos, temos de assegurar-nos de que não confundam qualquer resposta com a única resposta salvadora. Os riscos são elevados neste ponto, porque, se houver ambiguidade, estamos, de fato, cooperando para que as pessoas sejam iludidas quanto ao seu próprio estado espiritual, por lhes garantirmos que estão salvas, quando talvez elas não se arrependeram nem creram de maneira alguma. As duas respostas que, em nossos dias, são frequentemente confundidas com o arrependimento e a fé são (1) o fazer uma oração com alguém e (2) o vir à frente no culto de adoração.
1) Fazendo uma oração com alguém
Muitas vezes os cristãos compartilham o evangelho com alguém e o estimulam a fazer uma oração previamente escrita. (As pessoas podem realmente se arrepender e crer dessa maneira.) Em seguida, o evangelista bem intencionado encoraja o “novo crente”, dizendo: “Se você fez essa oração com sinceridade, como que expressando seus próprios sentimentos, parabéns! Agora, você é um filho de Deus”. No entanto, fazer uma oração nem a sinceridade nunca são apresentados nas Escrituras como um alicerce para a segurança de salvação. Jesus nos ensina a não tomarmos a oração e a sinceridade como segurança de salvação, e sim as ações — o fruto de nossa vida (Mt 7.15-27; Jo 15.8; 2Pe 1.5-12). O Novo Testamento nos ensina a considerarmos a santidade de conduta, o amor pelos outros e a pureza de doutrina como os indicadores de nossa segurança de salvação (1Ts 3.12-13; 1Jo 4.8; Gl 1.6-9; 5.22-25; 1Tm 6.3-5). Isso significa que não devemos encorajar as pessoas a se sentirem seguras de sua salvação fundamentadas apenas em uma oração que fizeram no passado, quando não têm quaisquer frutos de arrependimento observáveis em sua vida.
2) Vir à frente depois da pregação
Isso também se aplica àquele que vem à frente depois de uma pregação na igreja. Muitas vezes, pessoas vêm à frente depois de um sermão, indicando assim uma “decisão por Cristo”; e tais pessoas são logo recebidas como membros da igreja! Não se pode discernir nessas pessoas nenhum fruto de salvação, embora se admita (erroneamente) que ela se arrependeu e creu verdadeiramente, porque expressou abundância de emoções, veio à frente e fez uma oração sincera.
O resultado: falsas conversões
O resultado desse tipo de “não exigir evidências” da segurança de salvação é que as pessoas são ensinadas a considerar a oração de vinte anos atrás como o motivo para pensarem que são salvas, ignorando a contradição entre seu estilo de vida e sua confissão de fé. Podemos estar enchendo nossas igrejas com falsos convertidos, cujos pecados trazem dúvidas sobre o testemunho da igreja local. Esse não é o caminho para construirmos uma igreja saudável — e pode até obstruir a nossa obra evangelística — tanto dentro como fora da igreja local.
Precisamos compreender que as pessoas podem fazer orações sinceras e vir à frente, depois do sermão, sem arrependerem-se e crerem em Jesus. Isso tem sido feito durante dois mil anos. O escritor da Epístola aos Hebreus nos adverte que muitas pessoas tinham desfrutado de experiências espirituais genuínas e que tais experiências não eram coisas “pertencentes à salvação” (Hb 6.4-9; cf. 2Pe 1.6-10). Ele também nos instrui que a fé, a esperança e o amor são critérios mais confiáveis (Hb 6.9-12). O fruto de obediência é a única evidência externa que a Bíblia nos recomenda usar para discernirmos se uma pessoa é ou não convertida (Mt 7.15-27; Jo 15.8; Tg 2.14-26; 1Jo 2.3).
Seremos mais sábios se acabarmos com práticas evangelísticas ambíguas do que se continuarmos a confundir as pessoas quanto à natureza da resposta salvadora. É certo que permitir a ambiguidade pode aumentar o nosso rol de membros. Mas isso engana as pessoas não-salvas, levando-as a pensar que são salvas — esse é o mais cruel de todos os embustes. Também enfraquece a pureza de nossas igrejas e de seu testemunho corporativo, permitindo a aceitação de membros que são cristãos professos, mas que, mais tarde, revelam não serem cristãos, porque retornam a estilos de vida que não podem caracterizar um cristão verdadeiramente convertido.
Quer você esteja começando uma nova igreja, quer esteja reorganizando uma igreja antiga, continue a chamar as pessoas ao arrependimento e à fé — tanto em sua conversa como em sua pregação. Os novos convertidos podem fazer uma confissão pública dessa fé. É para isso que existe o batismo.

Texto adaptado do livro Deliberadamente Igreja, capítulo 3 “Evangelização com Responsabilidade“ (pág. 64 a 66). Copyrigh © Editora FIEL
Autores: Mark Dever e Paul Alexander Tradução: Francisco Wellington Ferreira