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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Uma fábula sobre a liberdade de Marcelo GEsta


Uma fábula sobre a liberdade
de Marcelo GEsta


     Certa vez um pardal faminto, resolveu descer a montanha e ir até a cidade para ver se encontrava comida, pois vivia esfomeado voando pelos bosques.
     Chegando a cidade, ouviu um canto melancólico e um tanto distante, mas seguindo o deprimido canto conseguiu chegar até uma linda gaiola de ouro, onde havia um canário muito infeliz.
     Então o pardal perguntou:
-Por que você, meu caro canário, está tão triste dentro desta linda gaiola de ouro, onde há tanta fartura e conforto?
     Ao que o canário respondeu-lhe:
-Que adianta eu estar aqui, com tudo isto se não posso estar aí gozando dos prazeres da vida e da liberdade? Eu, o pássaro da gaiola de ouro, quero voar e conhecer os bosques. Você, amigo pardal, deve ser muito feliz aí fora, voando para onde quer, cruzando ares e conhecendo outros pássaros?!
-Sim, amigo canário, a liberdade é muito boa, mas de que vale tê-la, se muitas vezes passo fome e frio aqui fora, onde, ás vezes, quase sacrifico a minha segurança, pois a qualquer hora posso ser apanhado e devorado por uma serpente ou um felino?!
-Mas, de que também vale a mordomia se não há liberdade? Disse o canário continuando: “Façamos um trato! Eu lhe ensinarei a cantar, e você me ensina a voar. Juntos, abriremos a porta da gaiola, você entrará e me substituirá cantando para o meu dono e, assim, poderá desfrutar de toda fartura e conforto da gaiola dourada, enquanto eu irei conhecer as maravilhas da montanha!
     E trocando de posições, o pardal se esforçava para imitar o canário, e o canário, por sua vez, conseguiu subir vagarosamente até o alto da montanha. Chegando lá no alto da montanha o canário estava exausto e faminto. Resolveu então cantar para encontrar comida, porém não a conseguiu, assim pousou em ma árvore para descansar.Logo começou escurecer e esfriar e seu gozo, prontamente, tornou-se preocupação e a sua alegria em medo. Inseguro, o canário começa a ficar deprimido, e olhando para baixo vê a cidade de onde veio e começa a pensar: “Se eu estivesse agora em minha gaiola de ouro, eu teria lá fartura, segurança e conforto, bem como alguém para me servir todas as manhãs.
     Resolvendo o canário descer da montanha e reaver o seu lugar que estava com o pardal, foi capturado e devorado por um gavião.
     Amanhecendo o dia seguinte, o pardal – dentro da gaiola de ouro – já estava entediado de cantar o dia inteiro, como um bobo, aquela vida monótona não era para ele. Os dias se passaram, e por comer demais e sem fazer exercícios o pardal se tornou um balofo. Sentia muito tédio, tinha saudades das aventuras que tinha na montanha. Sonhava com a possibilidade de outro pássaro vir ajudá-lo a sair daquela gaiola dourada e se tornar livre novamente. Certa manhã, seu dono levou a gaiola para ele tomar um banho de sol na janela. Foi então que, enquanto ele melancolicamente cantava olhando para a montanha, pousou ao seu lado uma exausta andorinha. Ela logo o indagou:
-Eu não sabia que pardais cantavam.
     Respondeu o pardal: 
-Realmente pardais não cantam. Eu só estou aqui por que estava com fome, frio e exausto voando pelos campos, quando resolvi vir até a cidade atrás de comida, até ser atraído pelo canto triste e encontrei dentro de uma gaiola de ouro um canário que queria ser livre para voar. Ele me propôs que eu o ajudasse a sair dali, e em troca me ensinaria a cantar para ficar no lugar dele dentro da gaiola dourada, desfrutando das mordomias da gaiola de oura. Porém, eu me arrependi e quero voltar á ser livre.
     A andorinha então respondeu:
-Eu daria tudo para estar agora desfrutando das mordomias desta linda gaiola de ouro. Eu poderia ajudá-lo a sair, se em troca, você me ensinar a cantar para que eu possa aí viver.
-Combinado, dona andorinha, eu lhe ensino a cantar e você me ajuda a sair.
     Aprendendo a andorinha a cantar, ajudou o pardal a abrir a pesada porta da gaiola de ouro, trocando de lugar com ele. Em saindo o pardal, seu coração bateu mais forte, engoliu a seco e seus olhos se encheram de lágrimas. Sem se despedir da andorinha, ele voou logo para a montanha. Mas por estar agora um balofo e desabituado a voar, logo se cansou e pousou em uma cerca para pegar fôlego. Olhando ansiosamente para a montanha, esqueceu-se de vigiar, sendo capturado e devorado por um felino.

     A andorinha, por sua vez, cantava e gozava dos prazeres da gaiola de ouro. Porém, quando chegou a primavera um ócio muito grande tomou conta de seu ser, e olhando suas companheiras voando pelos céus, das grades da gaiola de ouro, uma nostalgia enorme invadiu sua alma. Até que certo dia, um romântico e faminto beija-flor, aproximou-se dela... e aí...